Eram doze horas em ponto. Não exatamente quando aconteceu essa história, mas foi ao redor desse horário.
O sol estava livre para brilhar pelo céu sem nuvens. E como era belo os pequenos arco-íris e reflexos de seu brilho que se formavam nas gostas de água expelidas pela fonte da praça principal. Não foi exatamente onde aconteceu essa história, mas foi ao redor daquele lugar. A alguns poucos passos na verdade...
Em um banco da praça estava uma criança, meio garotão, moço... Praticamente um idoso! Enfim, este garoto estava lendo um gibi, mas qual era nem vem ao caso. O caso foi a atenção de seus olhos que caminharam forçadamente para fora das margens do papel chegando até a pessoa que ali estava diante dela. Parada.
Era um detetive. Vestia-se à caráter, era meio idoso, moço, garotão... Praticamente uma criança! Enfim, este detetive que, não percebendo a encarada que o garoto lhe estava dando, disse ao mesmo: "Com licença".
O olhar do garoto parecia dizer "Hum", com tom inquisitivo. Mas como se já soubesse que o detetive não entenderia sem explicação, ele disse "Hum!", com tom inquisitivo, mais esticado no "um".
- Estou aqui em mais uma missão e novamente procurando por uma pessoa perdida. - Disse o detetive.
E entrega-lhe uma foto sem dizer mais nada. O garoto, observando a foto, se vê quase como em um espelho. Era ele mesmo!
- Mas sou eu mesmo! - Disse o garoto, tornando minha frase acima redundante.
Como que se houvera olvidado da foto, a tirou das mãos do garoto para observá-la. Olhava primeiramente a foto e em seguida o garoto e não conseguia ver nenhuma semelhança, pois sua memória parecia curta demais para isso. Então ele os colocou lado a lado. A foto em um lado, o garoto do outro, deduzindo: "Hum... Você aparenta ter traços físicos como esta pessoa na foto e acredito que daria um belo exemplo de humano, mas não é você. Lamento."
Chocado, a pessoa (assim chamado pelo detetive) contesta que na foto está até com a mesma roupa! E esse ponto de exclamação é dele e não do narrador desta história. Ao que o detetive replica: "Mas você está perdido?".
- Não! - Disse a pessoa inconformada.
- Estou procurando por um perdido. Se você não está perdido, então não é você. - Disse o detetive calmamente.
- O senhor está louco! - Disse a pessoa, já louca.
- Louco, não. Você está perdido.
- Mas eu nem...
– Faz tempo, não é?
– O que? É que saí de casa agora pouco só pra fazer...
– Todos! Todos saem de casa só pra, só pra e só pra! Mas nunca voltam.
– Minha casa é pra lá! Eu sei onde eu vivo!
– Mas quando te encontraram que eu não vi?
– Eu nunca me perdi! Agora com licença que eu vou pra outro lugar! - Disse a pessoa já indo embora desistindo de qualquer conversa.
O detetive o deixa ir, como se fosse parte de seu plano para devolvê-lo à sua casa. O persegue por todos os lados, tentando se esconder por trás de objetos e pessoas, espionando-o. O garoto na realidade o vê sempre, mas o ignora, deixando-o acreditar que não o estava vendo. "É um louco."
Após uma longa e cansativa caminhada, a pessoa, desistindo de andar e com o dia já para terminar, senta-se num banco de uma praça fingindo estar perdida.
O detetive, com energia parecida com a do começo deste conto, se aproxima da pessoa e diz "Está perdido, não é filho?"
Ao que seu chamado filho lhe responde "Como adivinhou?"
- Já achei até mesmo bebês perdidos! Olha só!
Com um gesto rápido e com grande performance ele põe a mão para dentro de seu casaco e tira de lá uma carteira com três fotos de bebês. Exatamente o mesmo bebê, ao que o filho (o detetive o chamou assim, lembra?), observando, percebe rapidamente. O que não lhe causa espanto, mas lhe inspira a perguntar se o detetive em questão poderia lhe ajudar.
- E como posso! Vamos lá... É... Seu nome mesmo, garoto?
- Meu nome é Luiz. - Responde o garoto. O narrador agradece essa parte do roteiro. Estava enchendo o saco saber do nome dele e ficar substituindo por tantos substantivos fingindo não saber de nada!
Rapidamente Luiz se levanta do banco e caminha, num movimento automático, ao lado do detetive. Este lhe dizia com muita confiança que o levaria até sua casa em segurança. Essa rima não ficou legal... "Que o levaria até sua casa seguramente."
Luiz, rapidamente, demonstrou perder o ânimo de quando se levantara do banco, coisa que o detetive tem de sobra e este, instigado por sua percepção, lhe questiona se está com medo. Luiz, também perceptivo, percebe... Percebe fica ruim... Vê o que está fazendo e diz "Medo...? Não!"
- Por que essa cara fechada de repente? - Insiste o detetive.
Sem obter resposta, eles continuam o caminho em silêncio, mas sem que o detetive sossegasse sua animação e suas expressões em busca de entendê-lo.
- É... - Puxou o detetive novamente - Já é capaz de se recordar onde mora?
- Sim! Daqui já é possível. É ali na quinta rua, vê?
- Então vamos logo, pois meu dia é curto!
Sem demora eles descem quatro ruas e entram na quinta e, enquanto andam por ela, entre as casas de ambos os lados das esquinas, o detetive segue apontando e arriscando palpites a cada três casas, dizendo sempre que aquela que ele apontava era a casa do Luiz, mas este apenas seguia negando, mas não com muita firmeza, meio também fingindo estar perdido para não ficar tão na cara de que já sabia onde morava.
Luiz, então, pára diante de uma casa e simula se lembrar que mora ali por perto.
O detetive então aponta para uma casa, mas não é aquela. Aponta para outra e mais outra. Exatamente a casa à sua frente, que ele não aponta, é a casa onde Luiz mora.
- É esta casa aqui. – Diz Luiz, apontando para ela.
- Oh! Oras essa! Você deve ter a herança de um bom detetive, meu caro! - Diz o... Ah! Você sabe quem disse isso!
Luiz então abre o portão para entrar na (sua) casa e, entre fora e dentro dela, convida o detetive para entrar também, convencendo-o após insistir um pouco.
Ele então abre a porta principal da casa e entra sem pedir licença. Sua mãe, por coincidência, estava diante da porta para abrí-la, carregando o lixo da casa para por para fora.
- Oi, mãe... Já estou de volta... - Disse Luiz, desanimado como você deve estar por sentir que o conto está acabando!
- Ué! Não ia chegar mais tarde? - Disse a patroa, digo, a mãe do Luiz.
- Como mais tarde? Olha aqui... - Disse o desanimado Luiz apontando para o detetive.
- Seu pai de novo achando que é detetive?
- Pois é, mãe! Já está me envergonhando isso!
- Ai, filho... Entenda-o, por favor. - Disse a mãe, já deixando o lixo no chão da própria casa e não sabendo para quem olhar e o que dizer.
- É bom ver filho e mãe se reencontrando de novo! Missão cumprida! - Comemorava o detetive, ao mesmo tempo que entrava em casa, pulando alegremente o lixo e indo para seu quarto.
A porta se fecha... Ouve-se uma discussão. Houve um desacordo.
Luiz sai de casa, pega o lixo que a mãe deixou em frente à porta e o leva para fora da casa. Chegando no portão, diz que vai sair novamente e voltar mais tarde.
Ao ouvir isso, o detetive, que estava se aprontando para tomar seu banho quente após tanto trabalho, pensa consigo mesmo: "Sinto que precisam de mim! Tenho mais uma missão!"