E estava o rapaz com seus 20 anos de idade e com o seu pensamento e concentração totalmente voltados para aquela mesma garota de sempre. Entre suas lembranças e os novos momentos não haviam conflitos que gerassem dúvidas de que aquela era a mais bela de todas.
Sequer ele precisava olhar na direção de onde vinham os passos dela para perceber que chegava, pois sentia e ouvia seus caminhares como que repassando pelas pegadas já marcadas sobre a terra de sua memória.
E mesmo que dele fosse tirada também a audição, ele teria a fragância do perfume do corpo dela como guia para conduzi-lo a adivinhar o caminho até qualquer lugar onde ela poderia estar.
Mas a fala também era algo que desaparecia sempre que se via diante daquela garota ao encontrá-la. Em momentos como esse a imaginação lhe fazia companhia, sugerindo-lhe possibilidades do que dizer a ela. Vezes interessantes, vezes extravagantes. E sorria sozinho. E ria sozinho, recuperando os rastros de sua fala em meio às próprias engasgadas.
Vagava sua mente nas lembranças com ela e, frente à simplicidade daqueles fatos, a imaginação tratava-se de silenciar o desejo que, frustrado, por um triz não se explodia com suas ponderações negativistas a respeito daquela aparente imutável situação de atrito e atrito sem calor.
Sequer ele precisava olhar na direção de onde vinham os passos dela para perceber que chegava, pois sentia e ouvia seus caminhares como que repassando pelas pegadas já marcadas sobre a terra de sua memória.
E mesmo que dele fosse tirada também a audição, ele teria a fragância do perfume do corpo dela como guia para conduzi-lo a adivinhar o caminho até qualquer lugar onde ela poderia estar.
Mas a fala também era algo que desaparecia sempre que se via diante daquela garota ao encontrá-la. Em momentos como esse a imaginação lhe fazia companhia, sugerindo-lhe possibilidades do que dizer a ela. Vezes interessantes, vezes extravagantes. E sorria sozinho. E ria sozinho, recuperando os rastros de sua fala em meio às próprias engasgadas.
Vagava sua mente nas lembranças com ela e, frente à simplicidade daqueles fatos, a imaginação tratava-se de silenciar o desejo que, frustrado, por um triz não se explodia com suas ponderações negativistas a respeito daquela aparente imutável situação de atrito e atrito sem calor.
Mas à noite, quando todos os sentidos se iam aparentemente satisfeitos, o tato por último não conseguia se entregar ao sono. Queria sentir uma temperatura diferente, uma pele diferente, ser pego de surpresa... Ter algo de novo não apenas para si, mas para todos os outros sentidos, algo que nem mesmo a imaginação pudesse prever. Mas o que mais lhe prometia a supressão dessas saudades era a luz do sol que o atingia todos os dias durante os amanheceres de uma noite de insônia. Aquilo ainda era agradável, mas ele acordou prometendo que mudaria totalmente.
60 anos se passaram... Seus sentidos já não mais eram tão aguçados. Confundia cheiros, um olhar desfocado, falava pouco, com um paladar desgostoso e pouca audição. E também ele não sabia se os registros de sua vida ao lado da bela garota estavam em sua memória ou em sua imaginação, pois ambas se confundiam entre realidade e sonho. Foi quando eu, escritor, comovido com aquele homem, decidi não escrever sobre o que ocorreu nesses 60 anos de sua vida, pois a ele de nada importava aquela diferença quando em uma coisa sua memória e imaginação se acordavam: Aquela foi a garota mais bela de todas.