Venho a esta praça há muito tempo e tenho tantas historias para serem contadas que lhes poderiam parecer que vivi três ou quatro vidas ao mesmo tempo, mas não serei o contador de historias. Outro o será melhor que eu, pois ainda que eu tenha as habilidades das palavras, meu dom é o do silêncio.
Sempre que venho consulto se é ou não o meu último dia. E faz tempo que estou nesse caminho...
Cada vez me lembro de algo diferente e hoje é uma pessoa... Uma garota... Não lembro nome, aparência, nada. Não a amo mais... Digo... Na verdade quando estava presente eu a amava muito. Quando se distanciou, aos poucos fui amando a saudade. Depois que desapareceu e o tempo passava, passava levando a saudade e, também, o meu amor por ela. Não que deixei de amá-la... De amá-la a amar a saudade, agora amo a lembrança de que a amava.
Eu lembro de sonhos que tinha. Sonhos que realizei. E que agora são sonhos de novo.
Sempre busquei bons exemplos em minha vida e lembro de meus pais como se eu os fosse agora e Eles, eu e Aliás, É no que acredito. Que sou como o eco deles.
Mas a vida é tão longa que nenhum eco faz jus à sua duração. E a saudade sempre vai quase injustamente mais longe do que a própria vida que a sente. E a minha foi tão que subiu além dos Céus, como uma pipa que ao chegar ao final do carretel estoura, com muita força, o último fio do cordão que a prende à Terra.
O cordão da minha vida também está para se desprender deste carretel sentado ao banco... Mas em paz.
Também... Sinto que minhas lembranças estão morrendo primeiro, talvez para que eu vá como um recém-nascido, sem remorso de perdas, sem ilusão de ganhos. Sinto que sou como um grande dicionário que tem suas páginas arrancadas a cada vez que consultadas... E em uma hora só restará a capa, pois ainda que eu tenha as habilidades das palavras, meu dom é o do silêncio.
Mas vou embora mais um dia. Voltar para minha casa onde um velho companheiro me aguarda para mais um dia de meditação. Quem sabe amanhã eu... Eu me lembre de outra historia. O cordão ainda está muito longe de se quebrar.
Sempre que venho consulto se é ou não o meu último dia. E faz tempo que estou nesse caminho...
Cada vez me lembro de algo diferente e hoje é uma pessoa... Uma garota... Não lembro nome, aparência, nada. Não a amo mais... Digo... Na verdade quando estava presente eu a amava muito. Quando se distanciou, aos poucos fui amando a saudade. Depois que desapareceu e o tempo passava, passava levando a saudade e, também, o meu amor por ela. Não que deixei de amá-la... De amá-la a amar a saudade, agora amo a lembrança de que a amava.
Eu lembro de sonhos que tinha. Sonhos que realizei. E que agora são sonhos de novo.
Sempre busquei bons exemplos em minha vida e lembro de meus pais como se eu os fosse agora e Eles, eu e Aliás, É no que acredito. Que sou como o eco deles.
Mas a vida é tão longa que nenhum eco faz jus à sua duração. E a saudade sempre vai quase injustamente mais longe do que a própria vida que a sente. E a minha foi tão que subiu além dos Céus, como uma pipa que ao chegar ao final do carretel estoura, com muita força, o último fio do cordão que a prende à Terra.
O cordão da minha vida também está para se desprender deste carretel sentado ao banco... Mas em paz.
Também... Sinto que minhas lembranças estão morrendo primeiro, talvez para que eu vá como um recém-nascido, sem remorso de perdas, sem ilusão de ganhos. Sinto que sou como um grande dicionário que tem suas páginas arrancadas a cada vez que consultadas... E em uma hora só restará a capa, pois ainda que eu tenha as habilidades das palavras, meu dom é o do silêncio.
Mas vou embora mais um dia. Voltar para minha casa onde um velho companheiro me aguarda para mais um dia de meditação. Quem sabe amanhã eu... Eu me lembre de outra historia. O cordão ainda está muito longe de se quebrar.