Estava uma noite muito escura, afinal, era noite.
Em uma cidade muito pobre, mais exatamente em um quarteirão sem iluminação e com algumas casas abandonadas, caminhava um sujeito em um escuro casaco casado com a escuridão da noite.
Do outro lado do mesmo quarteirão virava outro sujeito em semelhante aspecto, mas com a diferença de uma iniciativa agressiva em que, ao encurtar-se a distância entre eles, tirou por debaixo da blusa uma arma e a apontou ao sujeito do casaco. O do casaco também se apontou para a arma igualmente sem medo e perguntou o que ele queria. A arma não disse nada, mas o sujeito que a segurava queria seu dinheiro. O do casaco olhou, olhou e então disse "Eu te conheço, rapaz!".
"Ó meu Deus!" ou algo assim bem menos dramático, com certeza, foi o que o da arma disse. Um silêncio pairou no ar por alguns poucos segundos, mais ou menos esta duração . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . ,.
Eles piscaram na vírgula, talvez você também. Logo o da arma reconheceu o do casaco e lhe pediu desculpas. Eram colegas da mesma empresa Sociedade dos Criminosos, com CNPJ, crimes legalizados e tudo o mais, mas que fechou as portas devido à crise, deixando na rua muitos desempregados e muitos deles, para sobreviver, foram para o mundo do crime como freelancers, mas eram considerados foras da lei. O do casaco disse que conseguiu entrar em outra empresa de crimes devido ao bom curriculum, mas o da arma, não. E também desistira de realizar o assalto, pois estava mal consigo mesmo. Talvez voltaria a viver com a avó, que era dona de 28% das bolsas da referida empresa falida.
Conversaram bastante os dois velhos conhecidos, mas o ex-assaltante desempregado não se animava. E para isso, ao ver um sujeito com uns piercing atravessando a rua, o do casaco disse "Ei... Que tal aquele dos piercings?". O da arma olhou o dos piercings e disse simplesmente "Não.". O do casaco insistiu em ir. O da arma insistiu em não e depois disse que o dos piercings é seu amigo de rua. O do casaco disse "Mas não é meu."
O da arma olhou para o do casaco, que não tinha mais casaco e sim uma arma apontada em sua direção. "Eu te dou um emprego onde estou!". E ambos se apontaram a sua arma.
"Balela!" ou algo assim bem mais macho, com certeza, foi o que o da arma disse. E ambos, com as armas apontadas, esperaram o momento exato para atirar . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . , . . . . ,.
Nunca mais viram o dos piercings. Lamentável...