E o tão esperado jogo começa! Todo o público eufórico ansioso há tempos incontáveis!
O jogo se dá início com o time de branco, que apesar de ter mais jogadores do que o outro time, as pessoas não conseguem saber disso. Inclusive o jogo começa quando qualquer jogador do time branco colocar os pés na bola. O juiz aguarda ansiosamente!
E lá vai Leuclemar tocar na bola e corajosamente corre para frente! Dribles pelesísticos são executados, passos ronaldísicos efetuados e uma cabeçada digna de São Tomé faz a bola entrar de uma vez no fundo do gol! Todos sem exceção alguma comemoram o incrível gol marcado pela cabeçada de São Tomé, que é o nome dele mesmo, que inclusive tem a fé depositada por ambos os lados da torcida, já que ninguém sabe se foi exatamente gol contra ou não... Isso é decidido por qual torcida grita mais alto.
Com o fim das comemorações, o time rival deseja também receber os aplausos, então o goleiro Molarius pega a bola do fundo do gol e dá uma bicuda fenomenal! No próprio gol! E a torcida vai à loucura com dois gols seguidos em tão pouco tempo! Molarius repete a cena mais algumas vezes marcando gols desesperadamente até que o time oponente lhe rouba a bola e a coloca de volta ao meio campo. Alguns dizem que isso merece cartão vermelho, mas o juiz nega o pedido, apita e manda seguir o jogo.
Está sendo um jogo suado e por enquanto temos um empate, um fenômeno que só aumenta a tensão em campo e entre os torcedores. Cada centavo gasto no ingresso está valendo a pena, visto que cada um pagou o quanto quis, inclusive os próprios jogadores, rede de televisão, gandulas, jardineiros, pipoqueiros, faxineiros...
Como ninguém sabe o que é meio, a bola foi colocada em qualquer canto do campo. Por coincidência a colocaram na frente do gol do time branco e isso pareceu coerente. Como foi o time vermelho que acabou de marcar gol, o time branco começa e já seguem para a frente novamente. Diversas retiradas de bolas ocorrem, inclusive algumas até desaparecem e começaram a desconfiar dos gandulas, mas como não existem números, continuaram o jogo normalmente até que só sobrou a única bola, que por esta não sumir, os fez pensar que tinham infinitas bolas do mesmo jeito, já que sempre o gandula devolvia.
Como não há contagem de tempo, os jogadores individualmente, conforme querem, fazem a sua pausa ou trocam com outros jogadores, que inclusive só não entraram antes porque não quiseram, pois não há limites de jogadores, mas há sim rivalidade e inimizade dentro do próprio time em que um jogador não joga enquanto outro estiver em campo. É graças a essa inimizade natural que o número de jogadores não é exacerbado, a menos que um jogador de um time decida, em um jogo particular, jogar no time inimigo com a finalidade de simplesmente saciar sua vontade. Inclusive ele pode até fingir que joga para o outro time por muito tempo, fingir que marca gols para o outro time e até fingir que comemora o campeonato e fingir que gosta de todo o dinheiro que ganha. São chamados jogadores espiões, que sacrificam sua segurança durante a vida toda no time inimigo, jogando bem para eles.
Com toda essa descrição, vários jogadores foram descansar e alguns até foram para casa, assistir o jogo da televisão. Restam poucos jogadores em campo e enquanto sobrar pelo menos um jogador, o jogo continua.
E o escolhido para representar o esporte foi Lumeiste, mas apenas por uma questão de sorte porque apesar de se sentir sozinho em campo, ele acha que alguns jogadores voltarão após o descanso, como já aconteceu algumas vezes. Mas não foi dessa vez. Até o juiz já está entre a torcida e vendendo pipoca, que é seu segundo trabalho. Lumeiste só teve azar de ser goleiro, então ele teme sair do gol com a bola e de repente algum jogador chegar e saqueá-lo.
Após algum tempo, os torcedores começam a perceber que o jogo não vai pra frente, então o juiz fala para um torcedor pegar o cartão vermelho dele que está no bolso direito e levar até o Lumeiste para retirá-lo do campo. O torcedor, por mais incoerente que pareça, era um jogador reserva que estava esperando ser trocado pelo Lumeiste, então ele não aceitou entrar em campo. Ele odeia o Lumeiste. Nessa hora, o juiz ficou irritado, tacou as pipocas... não... gentilmente entregou as pipocas para uma senhora ao lado e mostrou cartão vermelho para este jogador! A torcida ficou extasiada! Nunca viram um jogador reserva ser expulso na história do futebol! Nessa hora Lumeiste percebe a chance de ninguém estar prestando atenção nele e parte em direção ao gol do oponente! Minutos de suor escorrem pela sua face, os músculos se contraem vigorosamente, e ele chega na linha do gol rival, pega ela com as próprias mãos e a torcida vai escandalosamente ao delírio da trombeta mágica com a defesa espetacular de Lumeiste!
Os torcedores alucinados invadem o campo para levantarem o mais novo artilheiro e melhor goleiro de todas as gerações de todos os universos. É ele, Lumeiste! Que inclusive era ele que ajudava os gandulas a roubarem as bolas. Ele tentou roubar aquela que ele agarrou, mas foi impedido pela população comemorativa.
Lumeiste pediu aposentadoria do mundo dos esportes. O juiz foi expulso pelo Conselho de Futebol pela má conduta, mas abriu a própria empresa de pipoca em formato de bolas de futebol, com aroma e sabor de chuteira opcional.